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Os mortos que não repousam eram para os gregos parte de uma zona intermediária entre o mundo dos homens e o mundo dos deuses. Como lembra Kadaré, os gregos acreditavam que uma "recuperação de sangue" não poderia ser realizada sem o consentimento do morto. Os gregos achavam, ainda, que um cadáver amputado de suas mãos e pernas era incapaz de enviar sinais para o mundo dos vivos. É por isso que, em Orestia, Clitemnestra corta os membros do seu marido, prenunciando o horror perpetrado séculos mais tarde por Lady Macbeth na peça de Shakespeare. Finalmente, Ésquilo sustenta que, no caso de vendetas entre famílias, o direito não está nunca dos dois lados. Migra de um lado para o outro, ao sabor das mortes perpetradas. Migra, por decorrência, de homem a homem, de família a família, de facção a facção, de país a país, num ciclo infindável.
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