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A integração das cenas com rezadeiras no filme não foi aleatória - mais uma vez por influência de Ismail Kadaré. Nietzsche defendia a tese de que a tragédia grega tem origem nas festas dionisíacas. Já Kadaré afirma que a tragédia é o prolongamento de uma outra forma de ritual, o dos cantos fúnebres pronunciados por rezadeiras profissionais nos enterros. Em seus livros Eschyle ou le Grand Perdant e Dialogue avec Alain Bosquet, Kadaré nos lembra que a fossa do morto e o espaço que a cerca são ao mesmo tempo a matéria-prima e a primeira cena do teatro trágico. O personagem principal, o morto, está entre dois estados distintos - a vida e a morte. Como não é mais capaz de falar de si, outros o fazem por ele. Esta incumbência cabe às primeiras atrizes profissionais que, segundo Kadaré, são justamente as rezadeiras. "Os seus lamentos pertencem ao território da realidade interpretada, como o coro antigo o faria mais tarde no teatro grego. Ainda em grego, a palavra "ator" se traduz por "hypokrites". É um adjetivo que cabe como luva às profissionais que choram um morto que não lhes pertence. Essas reflexões dizem respeito a um ritual fúnebre ordinário. Mas, quando o morto é vítima de uma vendeta e o assassino é obrigado a participar do enterro e do almoço fúnebre de sua vítima, como acontece em Abril Despedaçado, estamos no campo da tragédia expressa na sua totalidade."
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