Empire
February, 2002

ABRIL DESPEDAÇADO
por Alan Morrison

Estamos em 1910 e uma disputa de terras vem causando gerações de mortes entre duas famílias de camponeses no Brasil. Agora é a vez de Tonio (sic) - um jovem de 20 anos - de assassinar e ser assassinado; e parece que nada pode romper com esse ciclo de violência.

Há três anos, Central do Brasil, de Walter Salles, foi preterido no Oscar em favor de A Vida É Bela. Este ano Amélie vem ganhando força, porém Abril Despedaçado merece um lugar no pódio entre os melhores.
Trata-se de um dos filmes mais magistralmente fotografados que se pode ver; todavia, a fotografia de Walter Carvalho não é gratuitamente bela; o estilo visual, na verdade, fortalece a história em um nível metafórico. A luz dourada que banha a faina dos camponeses contrasta com o breu da noite, enquanto Tonio (sic) sabe que a trégua que o mantém vivo terá fim na próxima lua cheia. Do mesmo modo, o amor radiante entre os irmãos de uma família contrasta com o ódio cego que o clã nutre pelos vizinhos.
À medida que a história se encaminha para seu clímax trágico, conceitos ancestrais de honra e vingança parecem estúpidos e ultrapassados comparados à determinação deste jovem em permanecer vivo.

É BOM?
Uma história forte, com um rico simbolismo visual, onde cada fotograma é montado com cuidado e filmado com sentimento. Se isso não cria uma tragédia absolutamente incomparável - porém com um apelo universal - então o que cria? (5 estrelas)

 




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